Se você acha que a inteligência artificial generativa veio para aliviar o trabalho, prepare-se para um cenário um pouco diferente — ao menos, por enquanto. Um estudo recente publicado na Harvard Business Review e divulgado pelo Canaltech, que repercutiu nas últimas duas semanas, revela que o uso dessas ferramentas está intensificando a carga de trabalho dos profissionais, mesmo aumentando a produtividade.
É um paradoxo que pode pegar líderes de inovação e tecnologia de surpresa. Afinal, a promessa da IA generativa sempre foi automatizar tarefas repetitivas e liberar tempo para atividades mais estratégicas. Mas a realidade, segundo a pesquisa, mostra que as demandas se acumulam — com profissionais usando IA para fazer mais no mesmo prazo, e até gerando um efeito cascata de novas demandas interna e externamente.
O que o estudo descobriu?
O estudo analisou como ferramentas como ChatGPT, Bard e outras IAs generativas afetam o dia a dia de trabalho. A conclusão principal é que, embora a produtividade individual aumente, com tarefas realizadas mais rapidamente, os profissionais acabam aceitando mais projetos, prazos mais apertados e múltiplas interrupções.
Ou seja, a inteligência artificial cria uma expectativa interna — e externa — de que é possível fazer muito mais, muito mais rápido. Isso pode levar ao esgotamento e prejudicar o bem-estar dos times.
O que isso significa para os líderes?
Se você lidera equipes que estão adotando IA generativa, o sinal é claro: não basta implementar a tecnologia e esperar que os resultados apareçam. É preciso repensar o design do trabalho, os processos e a cultura da equipe.
Algumas práticas recomendadas incluem:
- Pausas intencionais: Incentivar momentos de desligamento para evitar a fadiga mental exacerbada.
- Sequenciamento de tarefas: Priorizar e organizar as atividades para evitar multitarefas improdutivas e fadiga.
- Comunicação transparente: Ajustar expectativas com clientes e stakeholders sobre prazos e entregas, levando em conta o novo ritmo de trabalho.
- Monitoramento do bem-estar: Implementar check-ins regulares para identificar sinais de sobrecarga e agir preventivamente.
Um desafio e uma oportunidade
Essa dinâmica — produtividade que gera mais trabalho — pode parecer um desafio distópico, mas é também uma oportunidade para uma liderança mais humanizada e estratégica. É hora de repensar o papel da tecnologia na organização, buscando não só a eficiência, mas também o equilíbrio e a sustentabilidade do trabalho.
Empresas que entenderem essa tendência terão vantagem competitiva, porque poderão reter talentos, manter o engajamento e, ao mesmo tempo, avançar com a transformação digital.
O que vem a seguir?
À medida que a tecnologia evolui, também surgirão mecanismos mais sofisticados para gerenciar esses efeitos colaterais. Expectativas automatizadas, agentes autônomos e personalização de IA— já apontados como tendências para 2026 por especialistas da Oracle e AWS — poderão ajudar a equilibrar demandas e capacidades humanas.
Para líderes, isso reforça a importância de acompanhar de perto tanto os avanços tecnológicos quanto os impactos humanos. A transformação digital bem-sucedida dependerá do alinhamento entre tecnologia, pessoas e cultura.
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